30
maio

Não há cidadania, não existe redução de danos, não há glamour, só degradação ou morte com o uso do crack

Descrição de um viciado em crack.

Você vai na biqueira de cocaína e não tem pó ou tem um ruim para caramba, que só gera insatisfação e não faz efeito.

A cocaína fraca é cheia de cafeína, para dar agitação e impedir o sono, para que você tente sair novamente e procurar mais droga.

Um amigo já tinha te falado da biqueira de crack, aonde fica, e como fuma.

Você vai na biqueira de cocaína e não tem ninguém porque é madrugada.

Então tem a ideia de comprar uma pedra.

Compra duas, vai para casa.

Faz a latinha com furinhos, o ninho de cinzas (não sei porque o crack não funciona sem um leito de cinzas de cigarro, que tem que ser constantemente renovado).

Tenta atear fogo até que consegue.

Um jato de cocaína em forma de vapor enche seus pulmões e em questão de milissegundos inunda seu cérebro.

A cocaína enche suas sinapses com dopamina, e provoca uma onda aguda de prazer, alegria, excitação.

O efeito é tão forte que provoca um ruído característico dentro do seu cérebro chamado na gíria de “tuim”.

O prazer provocado pela onda de cocaína é tão forte que não pode ser descrito com palavras comuns, uma vez que não tem equivalente no mundo “real”.

O tuim dura poucos segundos e leva a outra tragada, outro tuim.

Ao contrário do que dizem os livros de farmacologia, o uso de crack não leva à tolerância. O efeito é sempre o mesmo.

Acabadas as duas pedras, a ideia é voltar e sentir de novo a mesma sensação.

A bica de crack, ao contrário das de cocaína e maconha é 24 horas.

O coitado compra cinco pedras, vai para casa e usa todas.

Acabado o efeito, o crunch – angústia secundária ao cérebro sem dopamina alguma na sinapse devido ao mecanismo de autorregulação dos neurônios – é brutal.

Uma sensação de buraco no peito, de vazio e angústia, também indescritíveis para quem nunca os viveu, mais cruel que tudo do mundo normal.

A solução?

Ir na biqueira de novo, e de novo, e de novo, e de novo, e de novo.

Tentando voltar á vida novamente, o coitado se vê feio, sem dinheiro, sem namorada, com contas vencidas.

Soma-se à brutal angústia neuroquimica a angústia reativa à sua situação de vida.

A solução?

Ir para a biqueira de novo, de novo, de novo e de novo.

Acabou o último dinheiro que restava. O coitado mendiga nos sinais de trânsito, faz sexo com pessoas grotescas para conseguir só mais uma pedrinha.

O drogado vive em um limbo. Seus lobos cerebrais frontais e pré-frontais estão com inúmeras áreas de hipoperfusão. Ele mal raciocina, tendo a falsa sensação de que sabe o que quer.

Mas o apelo do crack e a angústia de sua falta o transformam no “Smeagle do Senhor dos Anéis”. Um monstrinho disforme, nu, de olhos arregalados, implorando por só mais um pouquinho do poder do anel.

Ele sabe disso, ele entende isso, mas não consegue reagir de forma diferente.

Quando eu quiser eu paro!

Mas o “quando” nunca chega.

A solução?

Arrumar dinheiro e ir para a biqueira, de novo, de novo e de novo.

No velório municipal, jaz o corpo emagrecido, inerte no caixão de pinho.

Uma mãe de véu preto chora sozinha sentada no cimento frio do móvel de alvenaria, duro, impessoal.

Aonde eu errei? Aonde eu errei? Meu Deus, porque aconteceu isso comigo?

Esta é a história do pessoal da Cracolândia. Isso é que muitos estão defendendo.

Não há cidadania alguma no vício do crack, não há redução de danos, não há glamour, só degradação e morte.

Autoria desconhecida.

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