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Embriaguez na adolescência

Publicado em Notícias

Pesquisas realizadas pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), que funciona no Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) versam sobre a escalada vertiginosa do alto índice de adolescentes que se embriagam não somente nas grandes cidades, mas também nos rincões mais longínquos e improváveis.

Um dado interessante que foi revelado pelo Cebrid é que a maioria desses jovens é formada por alunos de escolas particulares, o que nos inclina a acreditar que sejam oriundos de famílias estruturadas financeiramente. De certa forma, somente isso, pois é praticamente impossível imaginarmos que uma família onde o filho adolescente se esbalda na bebida alcoólica apresente algum outro tipo de estrutura que não somente a financeira.

Detalhe: a pesquisa havia sido realizada no ano de 2008 e divulgada em 2010. Imaginem nos dias atuais como isso estará.

Por outro lado, também não podemos radicalizar. Devemos sim, considerar as diversas circunstâncias que levam um adolescente a adotar um comportamento tão nocivo para ele e para a sociedade. Mas francamente, seria hipocrisia da nossa parte jogarmos a responsabilidade para cima dos motivos de força maior.

Além disso, há um pequeno detalhe que nos coloca contra a parede: fomos nós quem os concebemos, os pais. Portanto, é de nossa inteira e absoluta responsabilidade toda e qualquer ação maléfica protagonizada pelos nossos filhos, pelo menos até que a “moral e a norma legal nos separem”. Ou nos resta alguma dúvida quanto a isso?

É muito cômodo dizermos que “Fulaninho” está revoltado com a separação dos pais, “Beltraninho” está infeliz com o baixo rendimento na escola e que eles, por esse ou aquele motivo, recorreram à bebida. Façam-nos o favor, paremos por aí! Onde estamos numa hora dessas? Estamos separados/divorciados, trabalhando demais para poder pagar a escola, a prestação da casa, do carro. Então façamos o seguinte: entremos num acordo, embora separados; negociemos com a escola, com o banco, com a financeira.

O que não podemos é perder nossos filhos para a rua e a bebida, pois sabemos que se eles não aprenderem o caminho da retidão em casa, apesar dos inúmeros percalços que possam se apresentar, aprenderão na rua.

Porém, na rua não mostrarão o caminho a eles com a dedicação que, logicamente em razão do laço familiar, nos é natural – pelo menos é o que os paradigmas nos fazem acreditar. As pessoas ensinarão “abaixo do mau tempo” – falando de forma branda –, pois sabemos que coisas muito mais graves podem acontecer.

Tudo bem, assumimos a nossa meia culpa, mas cadê as autoridades? Isso mesmo, AUTORIDADES. Adiantará a nossa reação para alguma coisa,se não contarmos com a presença efetiva do Estado nas ruas, nos bares, nos supermercados, na fiscalização e consequente autuação dos comerciantes gananciosos e inescrupulosos? Isto é, aqueles mesmos comerciantes que debocham do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e, sabidamente, das autoridades.

Assim, enquanto não enxergarmos o problema, não encontraremos soluções. E agora? Perceberam a complexidade? Nossos adolescentes estão bebendo cada vez mais, sob os mais variados argumentos. Vamos reagir?

Vamos conversar? Estado, você quer participar da nossa luta?

* acadêmicos da UFMS

Fonte: Gazeta de São João Del Rei

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